Por Thais de Castro Stoppe, em 19 de maio de 2012 O céu é azul. As folhas são verdes. O sol é amarelo.
Mas para ele, para ele tudo era cinza. Ele nascera assim e nada que fizesse poderia mudar esse fato. O céu era cinza, as folhas eram cinza, o sol era um clarão de cinza. E durante toda a sua vida, haviam tentado lhe convencer de que estava errado, mas ele sabia que os errados eram eles. Num belo dia sem nuvens, com o céu bem cinza, ele foi para a escola. Na primeira aula, a professora pediu-lhe para escrever sobre “As cores da cidade”. E sem a menor dúvida, mesmo sabendo que isso resultaria em mais uma péssima nota, ele escreveu a redação “Ver a cidade”. O texto era curto, porém cumpria seu objetivo de desabafo. Apresentava-se mais ou menos assim:
“Ver a cidade
Ver a cidade com veracidade é impossível. Cada um vê a cidade como seus olhos lhe permitem. Além disso, a veracidade não existe, ela é apenas um conceito que nos é empurrado para remover a nossa identidade e a nossa crítica.”
Ele saiu para a rua, respirou bem fundo e ficou admirando sua maravilhosa cidade cinza.
Por Giovana Nigro, em 17 de maio de 2012 Um aperto de saudades, um abraço de despedida, uma briga mal resolvida, lembrar que esqueceu ou que foi esquecida, antigas palavras de uma página que se amassou ao tentar ser virada. Arrependimento, fracasso, isolamento, perder o amor, a coragem e a vontade, ser prisioneiro de alguém que você já não reconhece. E é só à noite, encolhida sob o cobertor, que o peito dói, o queixo treme e as lágrimas lavam a angústia do coração.
Por Giovana Nigro, em 17 de maio de 2012 O ginásio do Colégio estava lotado antes mesmo de o Esporte Solidário 2012 começar na noite de quinta-feira, 10/05 . Crianças de todas as idades e escolas, pais, professores, as meninas do time de patinação do clube Ypê e o time de futsal do Corinthians estavam todos reunidos para prestigiar e ajudar a ONG Vidas, fundada por Patrícia Goloni. A presidente da iniciativa e professora do Bandeirantes afirma que o objetivo principal da organização é fazer com que o convívio entre as pessoas com necessidades especiais seja mais natural na sociedade, para que haja união, pois tudo é possível se os outros têm vontade dentro de si.
E isso com certeza todos os voluntários tem de sobra. No vídeo que nos foi exibido, que tentava resumir o extenso trabalho da Vidas em poucos minutos, foi evidente ver o quão bem o trabalho com aquelas crianças lhes faz bem, tanto é que a maioria dos entrevistados disse que, além do prazer que as manhãs de sábado em que elas passam brincando com as crianças lhes proporcionam, o trabalho com a ONG lhes transformaram por completo- agora são pessoas muito melhores.
Seguiu-se então um verdadeiro show de talentos. Primeiro, as meninas do time de patinação, que incluíam várias ‘bandeirantinas’, fizeram uma ótima apresentação ao som de Christina Aguilera. Karina Arai conta que a equipe amadurecia a ideia de participar em algum projeto solidário e que, ao saberem do Esporte Solidário e como as contribuições ajudariam a Vidas, onde Karina é voluntária, chegaram à decisão final. Ela descreve que apesar do nervosismo, poder ajudar uma causa tão bonita a faz sentir bem: “É gratificante”.
Os jogadores deram um verdadeiro show de bola em seu jogo, o primeiro entre eles depois com jogadores masculinos e femininos do Colégio e, diga-se de passagem, as mulheres marcaram vários gols. Um dos momentos mais emocionantes foi talvez, quando as crianças beneficiadas pela ONG, que buscavam a bola do jeito que podiam e transmitiam uma energia tão boa de pura alegria ao fazer um gol.
Cabreuva, uma das estrelas do time, integrante da seleção brasileira de futsal se mostrou extasiado com o evento, além de achar que deveriam existir mais projetos como esse e que, muitas vezes, a verdadeira doação é a de tempo e carinho, não só dinheiro. Ele estava orgulhoso de ter participado e que naquela noite havia deixado solta a sua criança interior.
A professora Patrícia, que encontrou em seu filho Gabriel e em um desejo antigo de fazer a diferença, a inspiração necessária para dar vida à ONG, teve mais do que muitos motivos para se sentir honrada pela confiança e o apoio dados à Vidas, como suas lágrimas deixaram evidente que ela estava.
Por Thomas Tyn Chow Wang, em 16 de maio de 2012 15/05/2012
Fiscalização e multas a motoristas – mas e os ciclistas?
“As multas a motoristas que desrespeitarem ciclistas em São Paulo mal começaram e já deram o que falar. Muitos motoristas estão reclamando, com a argumentação de que os ciclistas também deveriam ser multados pela companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Há muitas pessoas vendo nessa fiscalização um mero revanchismo de quem usa a bicicleta, uma tentativa de punir o motorista pelo simples fato de usar o carro, uma subtração de espaço do automóvel e um cerceamento do direito de quem dirige.
A fiscalização de respeito ao ciclista não é nada disso. Como a Campanha de Proteção ao Pedestre, o objetivo dessa ação é proteger vidas, diminuindo acidentes e mortes. As infrações fiscalizadas – todas! – correspondem a atitudes que colocam em perigo quem está se deslocando em uma bicicleta. Entenda aqui.
Comportamento de risco
A mecânica de deslocamento do automóvel é muito diferente da bicicleta. E é, por isso mesmo, difícil de ser compreendida por quem não tem o hábito de pedalar nas ruas. Passar perto de outro carro quando se está dirigindo não representa grandes problemas, isso acontece o tempo todo quando ultrapassamos outros veículos. Mas passar perto assim de uma bicicleta muitas vezes faz o ciclista sentir a morte por perto, pois a possibilidade de cair debaixo das rodas do veículo é iminente.
Além dessa diferença, que faz com que muitos motoristas coloquem em risco a vida de ciclistas sem se dar conta, há ainda pessoas de má índole que ameaçam os ciclistas propositalmente com seus carros. Geralmente, são pessoas que acreditam que as ruas são vias exclusivas para automóveis e que as bicicletas não deveriam utilizá-las, punindo os ciclistas que insistem nisso com buzinas, aceleradas, finas e fechadas.
O objetivo da fiscalização não é punir motoristas gratuitamente. As pessoas conscientes, que dirigem seus carros sem ameaçar os demais usuários da via, não têm com o que se preocupar.
Só o que os ciclistas esperam é que possam chegar em casa sem receber nenhuma ameaça de morte pelo caminho. Quem usa a bicicleta também tem alguém esperando em casa.
Mas por que só os motoristas?
Todos sabemos que os desrespeitos às leis de trânsito ocorrem dos dois lados. Tanto motoristas como ciclistas cometem infrações e algumas pessoas o fazem mais que outras.
Por isso, parece injustiça punir apenas os motoristas, afinal ciclistas também cometem infrações. Mas há alguns fortes motivos que tornariam injusto autuar os ciclistas nesse momento, por mais que em uma primeira análise isso pareça coerente. Vamos a eles.”
Clique no link abaixo para ler o texto de William Cruz e compreender a discussão entorno do assunto:
http://vadebike.org/2012/05/fiscalizacao-e-multas-a-motoristas-mas-e-os-ciclistas/#comment-21466
“Começamos esta discussão hoje pela manhã no twitter e é com prazer que aceitei o convite de manifestar a minha opinião aqui,de forma mais extensa e (espero) clara!
Minha posição é simples: não considero que os ciclistas sempre estejam com a razão por estarem num veículo mais frágil. Sou da opinião que todos devem ser respeitados,que as leis devem exigir direitos e deveres para todos de forma igualitária.
Assim como carros,motos,ônibus,caminhões,trens,aviões e qualquer outro tipo de meio de transporte, a bicicleta (uma vez que querem sair dos limites dos parques e figurarem como alternativa de transporte urbano) deveriam ser conduzidas por pessoas habilitadas para isso,ou seja, os ciclistas deveriam fazer um curso no Detran (ou qq órgão de fiscalização de trânsito compete para isso),portarem uma carteira de habilitação para bicicletas e assim mostrarem aos outros que podem dividir este espaço em condições de igualdade de direitos e deveres.
Sou a favor de ciclistas,mas sou contra ciclistas que cometem infrações colocando suas próprias vidas em risco e responsabilizando,muitas vezes,motoristas que nada estão fazendo de errado a não ser (pelo que reza o Código) estarem dirigindo um veiculo maior,mais pesado,mais potente,com mais tecnologia.
Nem sempre os motoristas de veiculos grandes são os responsáveis pelos acidentes envolvendo as bicicletas e isso deveria ficar melhor estabelecido no Código de Trânsito com exigências também para o lado dos ciclistas.
Hoje mesmo tivemos aqui em SP um atropelamento por um ônibus de um garotinho de 7 anos que estava na rua de bicicleta indo comprar balas. Triste.Muito triste,ainda mais para quem é mãe de 2 garotos desta idade. Mas,por outro lado, me pergunto: é certo o menino estar sozinho de bike na rua com essa idade? O motorista de um ônibus simplesmente não enxerga um tico de gente como esse aparecendo de repente num ponto cego de visão do veículo. Uma criança dessa idade não avalia o perigo que é trafegar na rua.O motorista também provavelmente é pai de família,não atropelou de propósito e teve que fugir para não ser linchado.
Sinceramente, a culpa na minha opinião é dos familiares desta criança que não lhe deram a devida guarda. Como punir esse motorista? Só porque a vítima estava de bike e por isso está acima do bem e do mal? Não é justo.
O que defendi no twitter e aqui é,portanto,um tratamento justo para aqueles que estariam envolvidos num acidente.Sejam quem forem, estejam em que veículos estiverem. Bikes podem ser mais frágeis,mas isso não lhes dá o direito de abusarem no trânsito penalizando (muitas vezes não com a vida,mas com um grande problema judicial)quem na verdade estava trafegando corretamente.
Espero ter deixado clara a minha opinião e sei que muitos vão discordar dela. Isso não é problema. Quanto mais discutirmos todos os lados de uma questão,mais ela gerará uma solução imparcial e justa.
Obrigada pelo convite para participar deste espaço e que cheguemos a uma convivência muito bacana no transito,pautada em respeito e gentileza.
Ligia Marques”
Minha resposta
“Sou ciclista (e cicloativista), mas também ando de carro, de ônibus e como todos, sou um pedestre.
Concordo em parte com a afirmação da Ligia, há muitos ciclistas que não tem o mínimo de respeito pelas leis e pelos outros motoristas, são o que nós, ciclistas conscientes, chamamos de ‘pelegos’, pejorativamente.
Há uma grande divisão entre ciclistas, explicarei-a de forma resumida:
-> Ciclistas conscientes: tentam seguir as leis e respeitar aos demais quando circulam, apenas desrespeitam a lei quando precisam (por exemplo: pedalar na calçada da Av. 23 de Maio é perfeitamente aceitável, já que não há como disputar com carros em vias rápidas, já que o perigo é grande)
-> ‘Pelegos’: ciclistas que desrespeitam leis, seja por não conhecerem ou por não quererem. geralmente não tem a mínima noção delas.
-> Ciclistas ‘de-fim-de-semana’: geralmente buscam apenas o lazer, como a criança que pedala no parque com o pai. Se crescerem e continuarem pedalando, espero que se tornem conscientes.
Compreendo seu lado pois várias vezes já discuti com ciclistas-pelegos e muitos simplesmente são mau educados e grosseiros, o que também odeio. Por isso eu e meus colegas (ciclistas conscientes) fazemos não só campanhas de conscientização dos motoristas, mas também dos ciclistas.
Espero que todos que lerem este comentário compreendam a diferença entre um CICLISTA (de verdade) e alguém que SE DIZ um ciclista.
Obrigado,
Thomas Wang
(Bikers Group/Ciclistas SP e Bicicletas em SP e Ciclorrota)”
Compreendo o que a Ligia disse. Faz sentido, muitos ciclistas não tem a mínima noção de convivência, de cidadania. Assim como muitos motoristas também não tem. Mas creio que por existirem vários e todos portarem uma armadura de metal e vidro, muitos se camuflam. E por isso apenas alguns são pegos. Quando eu puder pedalar pela cidade sem nenhum problema além do transito e da violência urbana (como assaltos, a qual todos, desde o motorista ao pedestre, estamos sujeitos), com segurança, sem temer pela minha vida, sem ser xingado e quase atropelado, como já ocorreu algumas vezes, com uma estrutura cicloviária decente, não verei problema algum em ter uma ‘chapa’ e pagar impostos… Desde que eu tenha os mesmos direitos e o mesmo espaço e atenção que os carros tem, sem correr nenhum risco que eles não corram.
Abraços, Thomas Wang
(15/05/12)
Para ler o post completo e os demais comentários da discussão clique no link abaixo:
http://vadebike.org/2012/05/fiscalizacao-e-multas-a-motoristas-mas-e-os-ciclistas/#comment-21466
Para entender mais sobre o tema, veja os vídeos abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=x89C40kt_oY
http://www.youtube.com/watch?v=bay8oxXGzJE
http://www.youtube.com/watch?v=zB-P00PSbRI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=jYFmfouiHwE&feature=related
Por Mariana Bregola, em 15 de maio de 2012 Cada passo parecia ser inútil. A água caía por todos os lados e ela corria no escuro por uma direção incerta. Cada gota gélida ardia em sua pele e inundava cada vez mais o chão. Já sem fôlego, ela não podia parar de correr. Devido ao horário, tudo que via era preto e cinza. A única luz que tinha era dos fracos refletores dos postes que, por um instante, transformavam a água em chuva de ouro e que depois, voltava a ser nada. Tremia. A água já batia em seu calcanhar, dificultando ainda mais a corrida, e o usual cochicho da chuva nas telhas das casas agora pareciam britadeiras em sua cabeça. Não sabia onde estava indo, entretanto estava com pressa, não podia parar de correr. Lembrou-se que o tempo não para. Sentia-se afogada pela chuva. O desespero corria em suas veias assim como a água em seus cabelos. Corria para lugar nenhum, para o escuro, entretanto não podia parar.
O agudo sinal ressoou como uma sentença em sua cabeça. “Entreguem as provas” proferiu a professora. ”Merda” pensou a aluna.
Por Thomas Tyn Chow Wang, em 12 de maio de 2012 Avenida Paulista, um lugar mágico
Comentei em um dos meus últimos textos como eu achava a Avenida Paulista mágica… Com ajuda dos dois atalhos de teclado mais conhecidos (copiar e colar) copiei o que falei no outro texto sobre a Paulista: “Considero a Paulista um lugar meio mágico, a mistura, a mistura heterogênea, o concreto, metal e vidro e tudo o mais, mas depois falarei disso.”. Pois bem, agora vou falar.
Considero a Avenida Paulista bela, imponente, é um cartão postal, é um símbolo, é um ponto turístico, é um point. A Paulista é quase uma versão miniaturizada da cidade de São Paulo e talvez até do Brasil, que é rico em cultura e diversidade. A Paulista é um lugar onde há skatistas fazendo manobras na Praça do Ciclista, onde taxista baiano fala inglês com turista francês, onde estudante de Letras faz sarau e estudante de Engenharia calcula o tamanho dos prédios. A Avenida tem vários museus, dois parques, galerias, shoppings, uma linha de Metro correndo por baixo, carros, ônibus, bicicletas, motos e pedestres tentando compartilhar o pouco espaço acima do chão. Aliás, pouco não, pois há largas calçadas e várias faixas de transito, mas apertado porque ela nunca para.
Nessa bela avenida há jardins, restaurantes, cinemas, lojas, escritórios, consultórios, estacionamentos, bazares e tudo que se imaginar, ou pelo menos quase tudo. Não um dia em que na Paulista não haja movimento, nem mesmo aos domingos, quando ela se torna uma zona cultural riquíssima, com exposições, músicos nas calçadas e conversas boas nos bares. Sem comentar o Conjunto Nacional, que abriga a já famosa Livraria Cultura, que como o nome diz, é um polo de cultura por meio da leitura.
Não houve um dia que eu não tenha passado pela Paulista e me deparado com algo incomum ou interessando. Não houve um dia que eu não tenha observado algo mais detalhadamente. Já vi inúmeras cenas nesse belo cartão postal do progresso da cidade, desde cenas tristes como órfãos pedindo esmolas, até artistas circenses itinerantes se apresentando nos faróis. Já passei pela Avenida em dias que havia protestos dos mais diversos, pelas mais diversas causas. Eu mesmo já participei de protestos na Paulista.
Além do lado cultural, há o lado do trabalho. Tantos prédios, escritórios, consultórios, hospitais, shoppings, lojas… Quantas pessoas será que trabalham lá? Quantas gostam de lá? Não se pode negar que trabalhar em um local como aquele, com tantos restaurantes, bares, museus e coisas interessantes não seja extremamente atrativo. Eu trabalharia na Paulista. Assim como creio que a maioria dos paulistanos também toparia trabalhar num dos imponentes prédios de concreto e vidro.
E esses prédios, que compõe a clássica paisagem urbana? Quantos serão? Qual será o mais alto? E o mais baixo? Qual terá mais vagas nas grandes e subterrâneas garagens? Qual será o mais antigo? E o mais novo? Em qual deles há mais gente trabalhando? Que empresas, e com o que tantas empresas trabalham? Quantas pessoas terão seu futuro decidido nessa avenida?
O concreto, o asfalto, o metal, o cimento, as árvores, as amuradas, os postes, as lonas, os grafites, as pichações, as grades, os vidros, as tintas, é tanta coisa… A paisagem de um cânion urbano, onde prédios criam um corredor que vai até onde a vista alcança, o cinza e o colorido. Para os que veem e os que não veem. O ar fresco, mas ainda sim muito poluído. O eterno barulho das conversas, das freadas, das buzinas, dos copos brindando, dos helicópteros passando.
Tantas pessoas, de onde vieram, para onde vão. De tantas origens e vários destinos. Todas se cruzam, poucas se cumprimentam. “Ei, eu acho que conheço aquele cara de algum lugar…” Quantas vezes já não pensei isso… Numa grande massa, como formigas que saem do formigueiro pela manhã, do mesmo jeito saem os que lá trabalham no final do dia.
Multiculturalidade. Não sei se a palavra existe, mas considero o sentido dela claro: várias culturas. Dividindo o mesmo espaço, as mesmas pessoas, acima de tudo, convivendo. Há budistas, cristãos, muçulmanos, judeus, hinduístas, ateus e agnósticos. Vivendo em paz. Convivendo. Descendentes de chineses, de japoneses, de suíços, de franceses, de portugueses, de espanhóis, de alemães e de diversas outras origens. Sobretudo, brasileiros. Tantas raças e culturas. Empresários da África do Sul, da Malásia, do Cazaquistão, do Canadá, do Paraguay, da Rússia e de todas as partes do Mundo. Negócios milionários são fechados em várias das salas daquela avenida. E bijuterias “made in China” são vendidas em camelos em quase todas esquinas. Policiais militares fardados, sentados em bancos em frente ao Parque Trianon. O vendedor de picolés que tenta faturar com o calor.
Histórias, muitas histórias. Essa eu ouvi de um velho senhor, que com seu sotaque nordestino, vendia milho cozido e contava: “Vim da minha terra ainda muito jovem, na lambada de caminhão. Quando um motorista me pegava eu descia e subia na traseira de outro. De tantos lugares que já passei, por aqui eu fiquei. Porque um dia me encantei, com essa cidade e mais que tudo, com essa avenida. Que como um passe de mágica, como amor a uma mulher, conquistou meu coração.”. Histórias que se cruzam na avenida. O casal que se esbarrou enquanto ele descia do ônibus e ela caminhava nas largas calçadas da Paulista. O imigrante chinês que vende eletrônicos no Bulevar (sim, no Bulevar) que grita ao invés de falar. Tanta coisa, tanta gente. Quantos já não falaram da Paulista? E o que e como já não a retrataram? Das conhecidas crônicas da Vejinha ao um estudante de ensino médio, alguém já falou, alguém está falando, alguém falará e ninguém nunca se esquecerá da nossa bela Avenida Paulista.
Mas o que o futuro guarda para a nossa Avenida Paulista? Serão mais ciclistas atropelados? Mais assaltos em seus cruzamentos? Ou será uma pacífica convivência entre todos que por ela transitam? Ou será que algum dia poderei caminhar pelas suas calçadas sem me deparar com um mendigo? Ou calçadas limpas, sem lixo no chão? O que o futuro nos reserva, só Deus sabe.
Fica uma visão, da Praça do Ciclista, olhando em direção ao Paraíso, vendo tantos prédios, na bela e imponente Avenida Paulista.
Deixo também um link, uma música de uma banda pouco conhecida, mas que cantava com orgulho, sobre nossa cidade.
http://www.youtube.com/watch?v=BFjHnqfJcuQ
Thomas Wang
(escrito em 10/05/2012)
Por Thomas Tyn Chow Wang, em 11 de maio de 2012 Paranoia estudiosa
Tenho uma amiga que é toda estressada, vive com medo de ir mal, faz e refaz as listas de exercícios… Que ela não leia esse post e, se ler, minha amiga, não se magoe, escrevi esse texto pensando em abrir seus olhos.
O que chamei de “paranoia estudiosa” é aquela pressão, aquele stress, tudo por causa da escola. No Band então… Isso é ainda mais comum. Não estou defendendo o ‘vagabundismo nato’, mesmo eu sendo vagal. Claro que devemos estudar, tirar boas notas (ou o suficiente para passar), mas nossa vida não deve ser centrada só nisso.
Temos que viver nossas vidas, esse é o principal.
Esse deveria ser o principal objetivo de nossas curtas, rápidas e passageiras vidas. Não o dinheiro, não os estudos, não os bens materiais. Não estou propondo o “Deixa a vida me levar/Vida leva eu”, se estou propondo algo é mais para o estilo ‘carpe diem’.
Devemos aproveitar a vida, mas sem perder a consciência. Curtir cada momento, aquela conversa com um amigo, o saborear de um doce bem doce, o vento no rosto que entra pela janela, aquele momento relaxado após terminar uma tarefa difícil, as gotas de suor no corpo após se exercitar. As vezes decido parar um pouco, sair da rotina, relaxar e meditar em algum lugar calmo, como o Ibira. Me sento, leio algo, desenho, ouço ou toco um pouco de música. Deixo algum tempo passar. Podem me achar estranho, até me chamar de louco, mas já me sentei numa das muretas de um dos jardins da Paulista e fiquei sentado, apenas observando as pessoas que passavam, o que faziam, o que acontecia. Considero a Paulista um lugar meio mágico, a mistura, a mistura heterogênea, o concreto, metal e vidro e tudo o mais, mas depois falarei disso. Apesar de ter ficado um bom tempo sentado naquela mureta, não vi tantas pessoas alegres quanto eu esperava, eu vi gente apressada e que ia trabalhar. Quase ninguém olhava em volta, a paisagem dos prédios, os jardins ou as outras pessoas.
A humanidade, quase inteira, carece desse pensamento: temos que viver a vida.
Pense nisso.
Abraços, Thomas Wang
(escrito dia 07/05/2012)
Por Lara, em 10 de maio de 2012 Amanhã (11/05) a produtora cultural e jornalista de moda Mariana Baccarin visitará o Idade Mídia para contar um pouco sobre sua experiência no Brasil e no exterior.
Quer ouvir o que ela tem pra falar? Acesse http://www.ustream.tv/channel/im-2012 essa sexta às 13h30!
Por Lara, em 7 de maio de 2012 por Lara Deus

Quatro do cinco de dois mil e doze. Pela primeira vez, o Idade Mídia foi transmitido ao vivo através da internet. Neste dia foi apenas um teste, mas, a partir de agora, todos poderão conferir na íntegra o que acontece às sextas-feiras na sala D5 do Colégio Bandeirantes.
Comemorem, saudosos ex-IM’s. O endereço está aqui: http://www.ustream.tv/channel/im-2012. O próximo passo é divulgar nas redes sociais para que mais pessoas entrem em contato com tudo que é discutido pela turma de 2012 e por nossos ilustres convidados.
Lembre-se: “Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para o Idade Mídia”
Por Maria Luíza Carvalho, em 5 de maio de 2012 Há dois anos, estava tendo um daqueles dias frustantes em que nada dá certo. Sentada na frente do computador, no meu quarto fechado, ouvindo Florence + the Machine, a internet parou de funcionar e, nessa hora, eu tive um momento de tédio em que recortar um coração de uma folha de caderno parecia muito interessante e, colá-lo em um abajur, ainda mais. Ainda não entendo, mas essa minha ‘arte’ pediu uma foto. No outro dia, mais uma vez quando a internet caiu (essas são as minhas horas mais produtivamente criativas), eu olhei para o vitrô, no escritório de casa, e admirada pelo mosaico tirei outra foto. Algumas fotos e elogios depois, como qualquer criança querendo que seu desenho seja admirado, decidi colocar as minhas fotos em algum lugar onde todos pudessem vê-las. Então, ao invés de cobrir a geladeira inteira, veio o Falling, blog onde eu venho colocando o que me vem na cabeça.
Posso não ter muito prestígio, meu blog não teve milhares de acessos, mas é o meu orgulho, meu prazer. Porque ver uma árvore, uma pessoa, uma rua de um jeito diferente dos outros e poder capturar o que eu estou vendo é mágico e ainda ter pelo menos uma pessoa que aprecie (nem que seja só a minha mãe), é extremamente gratificante; qualquer pessoa que já teve seu trabalho elogiado pode lhe dizer como é, seja um texto, uma pintura, um desenho, dança ou música.
No fim, aquele pequeno e tedioso momento que tinha apenas pedido uma foto acabou se transformando em um sonho. Bom, melhor dizendo, não foi no fim e não acabou, pois eu continuo sonhando.
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