Linha Editorial

abril 29, 2008 · Categoria: Uncategorized

Quando a gente estuda jornalismo ouve o mesmo adeno a todas as

regras: “Óh, vai depender do veículo, hen? Cada um tem sua linha

editorial”. Sendo assim, vamos ver como a manchete da história

de Chapeuzinho Vermelho seria escrita pelos principais

veículos de comunicação!

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada

por um lobo na noite de ontem…’.
(Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou uma

tragédia’.

PROGRAMA DA HEBE
‘… que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa

menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é

mesmo?’

CIDADE ALERTA
(Datena): ‘… onde é que a gente vai parar, cadê as

autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da

avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte

público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na

tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho

medo de lobo, não.’

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos

lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu

salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos

alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como

Chapeuzinho foi devorada e depois salvapelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

AQUI
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte) Na

banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser

devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou

outra pessoa’

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e

sobreviver

Muito legal, não é mesmo? Acho que com este belo exemplo dá pra

ter uma idéia do que é a Linha Editorial!

Fonte:

http://www.gostodeler.com.br/materia/3544/mudam-se_as_manchetes_

e_permanece_a_historia.html

PS: Lembrei daquela velha lição de gramática do ano passado

hehehe!

Fernando

abril 25, 2008 · Categoria: Uncategorized

O Livro de Ishmael Beah

Livro indispensável

abril 25, 2008 · Categoria: Uncategorized

“Um livro que todos deveriam ler”. Assim definiria o surpreendente “Muito Longe de Casa – Memórias de um meninos soldado” de Ishamel Beah. O escritor de 28 anos nascido em Serra Leoa e radicado nos EUA, que esteve na última FLIP, conta a história de sua adolescência no país africano. Beah mal tinha saído da infância quando uma guerra civil entre o governo e forças revolucionárias estourou no país e o obrigou a se transformar em um soldado frio e destemido e a lutar com e contra jovens como ele. Resgatado da violência e das drogas pela Unicef, Beah foi um dos poucos que sobrou para contar os horrores aos quais jovens como ele foram submetidos. Hoje Beah trabalha na ONG Human Rights Watch. Indispensável para quem quer aprender à valorizar a vida.

Isaac Cattan

Artigo de Daniel Piza

abril 24, 2008 · Categoria: Uncategorized

Esse artigo foi veiculado pelo jornal O Estado de São Paulo, e eu achei que tem algo à acrescentar ao nosso curso.

22.04.08

A arte do fato
por Daniel Piza

Em tempos de imprensa fofoqueira e leviana, nada melhor do que ler os maiores jornalistas da história. A editora José Olympio acaba de publicar no Brasil O Grande Livro do Jornalismo, editado por Jon E. Lewis (tradução de Marcos Santarrita), com o que chama de “55 obras-primas dos melhores escritores e jornalistas”. Com exceção de Charles Dickens (sobre uma decapitação em Roma em 1845), Winston Churchill (sobre sua fuga da guerra na África do Sul em 1899) e alguns outros eleitos como precursores, além do hors-concours George Orwell (trecho de The Road to Wigan Pier), os textos são quase todos de jornalistas americanos. Conheço antologias melhores, como The Art of Fact (editado por Ben Yagoda, 1998), mas em português, não.

Há famosos como Jack London testemunhando o terremoto de São Francisco, John Reed cobrindo a Revolução Russa, John Hersey visitando Hiroshima um ano depois da bomba, John dos Passos na Marcha da Fome de 1931, William Shirer sobre a rendição francesa aos nazistas, Seymour Hersh revelando o massacre de My Lai e Hunter Thompson na Convenção Republicana de 1972. Mais importante, há desde crítica literária (Dorothy Parker defendendo os contos de Hemingway) até textos sobre esportes (Jonathan Mitchell sobre o boxeador Joe Louis) e relatos pessoais de viagem (Jon Krakauer e sua escalada), além de artigos e miniensaios (Norman Mailer sobre Bob Kennedy).

Isso tudo contrasta com o que ainda se pensa no Brasil sobre o que é ou não jornalismo. Há vários tipos de reportagem, das mais diretas às mais interpretativas, e jornalismo de opinião é, claro, jornalismo. O volume também serve para lembrar como o jornalismo pode ser instrumento e experiência para escritores de ficção. Além de Dickens, London, Dos Passos e Mailer, estão ali Stephen Crane, John Steinbeck, Gore Vidal e outros. E entre os grandes jornalistas vivos, além de Hersh, o destaque é para Robert Fisk, único com dois textos (massacre de palestinos em 1982 e invasão do Iraque em 2003). Bom jornalismo faz história e sobrevive em qualquer suporte.

***

Faltam mulheres na antologia, que tem apenas Martha Gellhorn e Gloria Steinem, além de Dorothy Parker. Hoje em dia elas são maioria no jornalismo e muitas estão entre os melhores, como Janet Malcolm e Arlene Croce. Uma verdadeira lenda do jornalismo americano é Rebecca West, autora de um longo clássico que estou lendo aos poucos, Black Lamb and Grey Falcon, sobre a Iugoslávia dos anos 30. Reportagem é viagem, mesmo que em sua cidade natal. O livro de outra grande jornalista, Stasilândia, de Anna Funder, será lançado pela Companhia das Letras em junho, na coleção Jornalismo Literário. É sobre a Alemanha Oriental nos tempos da Stasi, a polícia que tudo controlava.

***

Quando o cinema surgiu, disseram que a literatura e o teatro morreriam; quando a TV surgiu, disseram que o rádio e o cinema morreriam; etc. Nada morreu, tudo se transformou. O modo de fazer e o peso na sociedade sofrem mudanças, naturalmente, e sempre será assim. Isso vale para a internet, que também mataria tudo que existiu até então. Pois não é que tudo continua, e os sites de notícia mais visitados do mundo são justamente os de grandes grupos tradicionais, “mainstream”, como The Wall Street Journal e The New York Times? No atual State of the News Media, relatório anual sobre o jornalismo americano, isso é dito com todas as letras. A pulverização de fontes de informação não abalou o prestígio desses grupos e profissionais, mas ele precisaram se converter em multimídia. Há mais interação do que nunca com o leitor, e com isso se reforça a marca que tiver credibilidade e know-how.

Isso não significa que financeiramente a questão esteja resolvida. A circulação de jornais impressos, como já escrevi, caiu no último decênio, e certos tipos de publicidade os deixaram. Ações das empresas perderam valor. A transição para outro modelo de negócios ainda não se consolidou, porque ainda não se sabe como fazer dinheiro de verdade com jornalismo na Web. Mas, à medida que a coisa evoluir, as marcas fortes obviamente estarão à frente. Há muita gente na internet ressentida com a tal “grande mídia”, até porque gostaria de trabalhar nela, pois muito mais portas são abertas. Lembro que diziam que “jornalista não sabe fazer blog”. Bem, verifique quais os blogs mais influentes… E os jornais serão tanto melhores quanto mais observarem a demanda crescente por orientação e interação. A era do jornalão telegráfico e unilateral chega ao fim. Os autores estão de volta.

***

Antonio Prata tem um texto engraçado em As Cem Melhores Crônicas Brasileiras sobre os “meio intelectuais, meio de esquerda” que tagarelam em botequins e se consideram incompreendidos pela sociedade moderna. Hoje há uma espécie nova, os “meio intelectuais, meio de direita” que marcam a blogosfera. De qualquer modo, há muitos blogs cientes de sua natureza – conversa, conversa – e que vão muito além do diário palpiteiro, como More Intelligent Life, que faz jus ao nome. Alguém vem e escreve, digamos, um artigo sobre sua obsessão pela literatura de Thomas Bernhard, e os comentários levam o assunto diante. No caso, por rara felicidade, os comentaristas também leram Bernhard antes de opinar…

***

Sei de pessoas que se dizem suficientemente informadas apenas ouvindo rádio no carro e lendo uma revista semanal de notícias ou análises. Ilusão. “O jornal é a oração matinal do homem civilizado”, dizia Hegel, e continua a ser. Ler de 15 a 30 minutos antes de sair de casa é essencial não só para a informação, mas também para a formação. Fico pensando, eu que li os clássicos de Economia e a estudei na faculdade, quanto aprendi a mais sobre o assunto lendo em jornais ou revistas os artigos de Mario Henrique Simonsen, Celso Furtado, Roberto Campos ou Paul Singer, para citar tendências ideológicas diversas.

Afinal, mesmo que os jornais diários em papel venham a sumir (ou virem quase-revistas no aspecto físico), lê-los no computador também será obrigatório. Afinal, o excelente site do The Guardian é escrito também com sintaxe, parágrafos, títulos e hierarquia editorial, não? As redações virtuais também só crescem, embora a profecia fosse a de que todo mundo iria trabalhar em casa. Ainda bem, pois isso favoreceria demais o jornalismo de gabinete, que não vai para a rua, não tem prática e não é obrigado a ser isento e plural.

***

No Brasil ainda não se entende direito esse novo velho mundo da informação comentada. É comum ouvir que jornalistas só deveriam transcrever os fatos (como se houvesse um único e puro modo de fazê-lo) e não emitir opiniões (que não são o mesmo que palpites ou achismos). Só se esqueceram de avisar aos leitores… O bom leitor gosta de jornais com identidade, a qual é muito definida por seus critérios de edição (primeira página ou não, matéria grande ou não, abordagem, etc.) e por seus colunistas. Ele não gosta é da imprensa que força a barra, como se vê especialmente na TV nesta cobertura do caso Isabella, em que qualquer relato impreciso e impressionista é levado a sério.

Há ainda essa classe de ideólogos que sonham com o poder público a mediar o debate da sociedade, como se o Estado tivesse um papel virtuoso. É isso que está por trás dessa conversa sobre a “função social” dos meios de comunicação, que é hilária num país onde tantos veículos pertencem a políticos e onde publicações financiadas por estatais se dizem “independentes”. O livro de Eugenio Bucci, Em Brasília, 19 Horas (Record) – título que se refere à abominável Voz do Brasil, um dos muitos resquícios de tempos ditatoriais –, deixa isso muito claro. E as primeiras informações sobre a TV Lula, digo, a TV Brasil, de que palavras como “dossiê” seriam vetadas, só confirmam o que se previa. Ainda mal chegamos ao iluminismo de papel.

***

Cada jornalista tem seus heróis. Sergio Augusto, um dos meus, sempre cita I.F. Stone e Murray Kempton. Outro dos meus, Paulo Francis, citava Bernard Shaw, George Orwell e George Jean Nathan. Eu acrescentaria Karl Kraus, que sozinho escrevia um jornal inteiro com artigos, críticas e aforismos, e H.L. Mencken. O que há em comum entre eles? Eram humanistas, não importa com qual simpatia política, e acreditavam em dar o melhor de si na concatenação de fatos e idéias. Não economizavam na distribuição de cultura e jamais faziam concessões em sua independência. Acima de tudo, acreditavam no poder da palavra escrita para ler a história e conquistar um espaço na mente dos leitores. Hoje ou nos tempos de Dickens, bom jornalismo é fazer o esforço de não ser descartável, sem cair na pretensão de ser definitivo.
D.P.

******************************************************************************************

Amanhã seguimos para a Rádio Brasil 2000 FM. O rádio, como adiantou Piza , não morreu, e está aí, firme e forte, como um dos principais meios de comunicação da atualidade. Um meio (midia, em latim) que começou destinado apenas ao adulto branco, que passou pela fase de priorizar o público jovem e hoje procura contemplar o público da terceira idade. Vamos aprender tabém como a publicidade se encaixa nesse tipo de mídia e as particularidades dela. Suas limitações, exigências, e os seus bastidores.

É o ID 2008 avançando no trabalho!
Isaac Cattan

Claudio Tognolli no Pânico

abril 24, 2008 · Categoria: Uncategorized

Quem estava sintonizado na JovemPan nesta quinta-feira (24/04), pode ouvir a entrevista com Claudio Tognolli, um dos maiores jornalistas investigativos do país. Para se ter uma idéia, ele já escapou de ser fuzilado por um grupo de ex-policiais , teve de livrar a mãe de ser morta por corruptos do sistema previdenciário e recebeu outras ameaças tantas –tudo porque ele insiste em continuar produzindo bom jornalismo. Ele falou principalmente das infiltrações que já fez e das situações mais difíceis e engraçadas que já enfrentou. Um caso muito curioso que o “jornalista encrenqueiro”, como é chamado por muitos, citou, foi uma vez que ele conseguiu se infiltrar na segurança do cantor Michael Jackson na vinda dele ao Brasil. Entre essas e outras, ele ensinou aos ouvintes alguns conceitos que aprendemos sobre o jornalismo, e claro, sobre o jornalismo investigativo.

Infelizmente, ouvi apenas uma pequena parte da entrevista enquando voltava da escola, mas fiquei muito interessado pelo assunto e procurei saber mais sobre o cara na internet.

Aqui estão alguns links de entrevistas e artigos relacionados à ele:

http://www.sergipe.com.br/balaiodenoticias/tognolli_102.htm

http://www.lainsignia.org/2000/septiembre/cul_004.htm

http://revistatrip.uol.com.br/tvtrip/video.php?i=164

Entrevista no Programa do Jô:

Parte 1 : http://www.youtube.com/watch?v=5yQZ4Y5yi2Y&feature=related
Parte 2 : http://www.youtube.com/watch?v=cmM3Xt7VGTs&feature=related

Brasil 2000

abril 21, 2008 · Categoria: Uncategorized

Fui dar uma xeretada no site da Brasil 2000 pra saber o que nos espera semana que vem. Encontrei umas coisas bem legais….

A primeira delas é que a rádio começou nos moldes “College Radio” (rádio totalmente comandada por estudantes), e acabou mesclando profissionais e estudantes pra se adptar à legislação brasileira (imagina que experiência pros estudantes *-*).

Em mais de 20 anos (começou a operar em 86) a rádio investe numa programação alternativa, na qual se podia escolher ritmos que variavam do blues, classic rock, música latino-americana, ao reggae ou jazz. Tendo contato com as grandes gravadoras independentes do mundo todo. SUB POP, galera… a “casa” das maiores bandas grunge, inclusive Nirvana.

Dando uma olhada na comunidade da rádio no orkut, dá pra perceber que os ouvintes da rádio tem todo uma filosofia “underground” e são completamente avessos às rádios comerciais e “vendidas”. Algumas pessoas dizem que “a rádio já teve dias melhores”, mas a maioria ainda defende a rádio como sendo a melhor do Brasil.

Jornalismo precisa encontrar seu novo papel… será?

abril 20, 2008 · Categoria: Uncategorized

Aqui vai mais um texto que eu encontrei. Este é sobre o novo ombudsman da Folha e segundo ele, o jornalismo precisa encontrar seu novo papel. Fala-se bastante sobre o jornal impresso. É uma entrevista longa, mas vale dar uma olhada.

ENTREVISTA/CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

Jornalista que assume cargo na terça defende um produto com menos assuntos e mais análises; para ele, cobertura do caso Isabella mostra que a mídia estimula o que há de pior nos instintos humanos

Jornal precisa encontrar seu novo papel, diz ombudsman

DA REDAÇÃO

NOVO OMBUDSMAN DA FOLHA , Carlos Eduardo Lins da Silva, crê que os jornais brasileiros vivem um momento contraditório. Pelo lado bom, não sofrem da crise de credibilidade que acomete os diários norte-americanos. Pelo ruim, estão perdendo o poder de influenciar a opinião pública. Segundo ele, está na hora de os jornais decidirem que papel vão ter na concorrência com outros meios, como a internet, as rádios e a TV. Defende que o futuro está num produto mais focado, com menos assuntos e mais analítico.

Lins da Silva passa a atender os leitores e a redigir uma crítica interna na próxima terça-feira, dia 22. Sua primeira coluna dominical será publicada no dia 27 no caderno Brasil. Na entrevista abaixo, ele fala da proliferação de blogs, da cobertura do caso Isabella e do impasse que culminou com a não-renovação do mandato do ocupante anterior do cargo.

FOLHA -Jornais brasileiros e americanos vivem situações opostas. Lá eles perdem circulação e receita com publicidade. Aqui cresceram as vendas e o volume de anúncios. Qual a razão desse descolamento?
CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA – O que acontece no Brasil é uma coisa ilusória e acho que os jornalistas brasileiros não deveriam se iludir com esse bom momento. Primeiro, porque a internet não está muito disseminada aqui como nos EUA. Segundo, nós estamos vivendo esse boom da economia que eu acho que é passageiro. Nos EUA, ao contrário, a internet é quase universal e a economia está começando a sofrer os primeiros tropeços. Na minha opinião, é irreversível a tendência de os jornais impressos perderem circulação.

FOLHA – É a internet que tirará esse público dos jornais?
LINS DA SILVA – Eu acho que a internet já está tirando público e publicidade dos jornais. E será assim se o jornal impresso não revir a sua existência.

FOLHA – Você não acredita que possa crescer o número de leitores de jornais impressos com mais pessoas alfabetizadas e com mais dinheiro no bolso? Nos EUA, nos anos 60, 80% dos americanos com 18 anos ou mais liam jornais durante a semana. Hoje, ainda são cerca de 50%. O Brasil nunca chegou nem perto disso.
LINS DA SILVA – O problema é que no Brasil o crescimento dos meios de comunicação foi atropelado. Nos EUA, o desenvolvimento do capitalismo foi mais ou menos ordeiro. Houve a afluência monetária, que atingiu grande parte da população. Houve a conquista de direitos trabalhistas, que garantiu mais tempo para o lazer. Houve a alfabetização universal. Tudo isso levou a que quase todo mundo lesse jornal. Depois disso surgiu a televisão, a internet. No Brasil, não houve distribuição homogênea de riqueza, ainda há muitos analfabetos e você teve, antes de a leitura de jornais se universalizar, a chegada da televisão e da internet. Então, acho que essa universalização nunca vai ocorrer.

FOLHA – Para enfrentar a perda de circulação, alguns jornais americanos apostam na hiperlocalidade. Focam cada vez mais na própria comunidade. Essa será uma tendência para o Brasil?
LINS DA SILVA – Não sei se isso vai funcionar nem nos EUA. Há uma outra diferença entre os jornais americanos e brasileiros, que é a questão da credibilidade. Lá, eles passam por um momento de perda da credibilidade. Aqui, não. Mas, voltando à questão, não sei se essa é uma solução para os jornais impressos. Porque, também para o provimento da informação local, a internet é um meio mais adequado. Você pode comprar seu ingresso de cinema pela internet. Você pode saber o cardápio do restaurante pela internet. Você não tem como prestar esse tipo de serviço nas páginas do jornal.
Para mim, a saída para o jornal impresso é apostar na profundidade, na qualidade e ter mais foco, tratar de menos assuntos. Porque isso a internet não pode dar. O jornal impresso precisa procurar o tipo de conteúdo em que ele se sai melhor, em vez de insistir em competir com a internet naquilo que ela pode oferecer com mais comodidade para o leitor.

FOLHA – Alguns jornais ingleses tentam esse modelo mais focado e mais aprofundado, mas não obtêm mais leitores com isso.
LINS DA SILVA – Eu acho natural que esse modelo que eu defendo tenha menos leitores que o modelo atual. Porque esse novo jornal não deverá atender a todo o universo de possíveis leitores. Ele deve ser dirigido para uma parcela mais específica da população. Pode ter menos circulação, mas gastará menos com papel e poderá ter mais publicidade, focada para aquele público. E o mais importante, ele pode ter mais influência social do que esse jornal dirigido ao público em geral, que é muito caro para ser produzido.

FOLHA – Do ponto de vista da qualidade da informação, deixando de lado circulação e publicidade, você acha que os jornais brasileiros vivem um bom ou mau momento?
LINS DA SILVA – Acho que vive um bom momento, uma vez que não perderam credibilidade, como aconteceu nos EUA. Por outro lado, acho que os jornais brasileiros perderam o poder de influenciar. O maior exemplo foi a eleição presidencial de 2006. Era claro que a maioria dos jornais preferia que Lula não tivesse vencido. No entanto, Lula teve dois terços dos votos. Da mesma forma, no momento do mensalão, a maioria dos jornais de qualidade no Brasil preferia que o desfecho fosse outro.

FOLHA – Qual é o grande desafio dos jornais impressos hoje?
LINS DA SILVA – É definir qual papel terão. Principalmente para manter a influência. O jornal terá que encontrar seu lugar, como o rádio encontrou. Muitos diziam que o rádio morreria com a chegada da televisão. Não foi o que aconteceu. Hoje o rádio está num ótimo momento. Ele descobriu que seu espaço não era mais ser como a Rádio Nacional foi em meados do século passado: o centro das atenções da família no horário nobre da noite. Perdeu audiência, sim. Na época, 80% escutavam a Rádio Nacional. Hoje, 1%. O mesmo vai acontecer com o jornal impresso.

FOLHA – A internet trouxe mais participação dos leitores. Você vê futuro nessas experiências que usam o leitor como provedor de conteúdo?
LINS DA SILVA – Sou bastante cético com relação a isso. Essa suposta democratização da internet, que permitiria ao cidadão ser repórter, é muita demagogia. O público precisa de informação apurada com rigor, com método. Só algumas pessoas, que têm jeito e experiência, conseguem fazer isso.

FOLHA – Este será um ano eleitoral no Brasil. Com isso, o ombudsman deve ser muito procurado por assessores de políticos e também por leitores que acreditam que o jornal está protegendo esse ou aquele candidato. Como você pretende fazer essa fiscalização da neutralidade do jornal e, ao mesmo tempo, separar o que é paixão política, ou interesse de assessores, da opinião mais objetiva de leitores?
LINS DA SILVA – Esse será um dos meus desafios. Eu acho que o jornal tem o direito de endossar um candidato. Não acho que deva, mas tem o direito. Por outro lado, no noticiário, o jornal não tem o direito de endossar um candidato. Ele tem que fazer uma cobertura o mais próximo possível do isento. Como você sabe, não existe objetividade absoluta. Mas existe algo próximo disso, que é equilibrar o espaço dado aos candidatos, não adjetivar, dar enfoque mais ou menos justo para os principais concorrentes.
Eu não gosto muito da palavra fiscalização, mas a observação que vou fazer será baseada nisso. Tem que haver equilíbrio e o máximo de isenção possível. É claro que nunca ninguém ficará satisfeito. Mas a medida do sucesso é sempre ser atacado de todos os lados. Quando mais ataques o jornal receber de todos os lados, mais próximo do equilíbrio ele estará.

FOLHA – A internet permitiu também a proliferação de blogs, muitos com enfoque político. Você acha que esses blogs já conseguem influenciar a opinião pública?
LINS DA SILVA – No Brasil, com certeza não. Nos EUA, sim. Essa influência está sendo sentida na eleição presidencial. No entanto, eu acho que é uma influência ruim, perniciosa. Os blogs tendem a acirrar as divisões. Por exemplo, eu acho que essa disputa entre a Hillary Clinton e o Barack Obama está sendo prejudicada pela divisão que os blogs atiçam entre negros e brancos, entre mulheres e homens, entre trabalhadores industriais e profissionais liberais, que é a divisão que se estabeleceu na demografia eleitoral da Hillary e do Obama.
No Brasil, é parecido, mas é muito menor porque é pequeno o número de pessoas com acesso à internet e que lêem esses blogs. Mas cria-se um mal-estar por causa do radicalismo de alguns deles, que não argumentam, ofendem. Descem a um nível que nem se pode chamar de debate. E isso contamina o tal formador da opinião pública, que muitas vezes lê esses blogs e acaba sendo contagiado pelo radicalismo, o que cria situações artificiais.
A disputa entre petistas e tucanos é muito artificial porque não há tanta coisa que distancie um partido de outro. Mas ela é muito prejudicada pelas pessoas que lêem e até participam desses blogs e se dividem de uma forma muito odiosa.

FOLHA – O ombudsman anterior, Mário Magalhães, condicionou sua permanência no cargo a que o jornal voltasse atrás de decisão tomada no ano passado de não mais divulgar na internet a crítica interna, que, no entender da Direção de Redação, estava sendo usada pela concorrência e instrumentalizada por jornalistas ligados ao Planalto. Você acha que a crítica deveria ser pública?
LINS DA SILVA – Do ponto de vista do ombudsman, acho que essa questão é irrelevante. Do ponto de vista do jornal, inócua. Irrelevante porque qualquer coisa importante da crítica interna poderá estar na coluna de domingo, que é pública. O leitor, então, não perderá nada.
Já para o jornal, acho que a medida é inócua porque o fato de ser restrita à Redação não vai impedir que a concorrência e grupos políticos tenham acesso a ela. É impossível impedir que algo que seja distribuído a mais de uma centena de jornalistas não vaze para fora do jornal. Acho que o impasse foi gerado por uma questão que não precisaria tê-lo provocado, nem de um lado nem de outro.
O que lamento muito, porque considero que o Mário estava fazendo um bom serviço como ombudsman e isso beneficiava o leitor e o jornal.

FOLHA – Os últimos ombudsmans focaram suas colunas dominicais na cobertura da Folha. Você fará o mesmo ou pretende fazer uma análise mais ampla de toda a mídia?
LINS DA SILVA – Não tratarei na crítica dominical de nenhum outro veículo específico porque não tenho mandato para isso. Meu compromisso é com a Folha e não serei ombudsman dos concorrentes, da televisão ou da internet. Mas, ocasionalmente, posso tratar da mídia em geral porque acho que será interessante para o leitor.

FOLHA – Você assume o posto de ombudsman na terça, mas sempre foi um leitor atento. O que mais te irrita nos jornais?
LINS DA SILVA – O que mais me irrita é superficialidade. Depois, erros de português. E isso é uma bobagem, um pedantismo meu, porque erro de português não é tão importante assim. Em terceiro lugar, me irritam muito invencionices de texto. A tentativa de chamar a atenção com o que o repórter considera engraçado. Por exemplo, começar um texto com uma brincadeira que só me fará perder alguns segundos com algo que não tenha nenhum sentido. Também me irritam algumas opiniões muito ralas, que não acrescentam nada para o leitor.

FOLHA – Como você avalia o trabalho dos meios de comunicação na cobertura do caso Isabella?
LINS DA SILVA – Acho que os jornais estão preocupados em não repetir erros, como ocorreram na cobertura de outros casos policiais que mobilizaram a opinião pública. O que é muito positivo. Há preocupação com aspectos éticos. Mas acho absurdo o que o Clóvis Rossi chama de cenas de jornalismo explícito. Eu vi a saída da prisão do casal suspeito e não consigo encontrar sentido naquele batalhão de cinegrafistas em cima de motocicletas colocando a câmara no vidro do carro em que eles estavam. Não sei qual o valor informativo que pode ter uma imagem como aquela.
Só não sei se isso é evitável, porque o público parece querer esse tipo de cobertura. A mídia, nessas horas, acaba estimulando o que há de pior nos instintos humanos, de morbidez e curiosidade doentia.
Mas aqui há uma questão. Será que o jornalismo sério precisa mesmo entregar o que o público quer, ou diz querer? Na minha opinião, jornalismo sério tem que atender a demanda do público, mas tem também que liderar. É preciso haver uma troca entre o meio de comunicação e seu consumidor para que o jornal atenda os desejos dos leitores, mas também ajude a melhorar a qualidade desses desejos.

Caso Isabella, por Dimenstein

abril 18, 2008 · Categoria: Uncategorized

Ainda sobre o caso da Isabella, vale a pena dar uma lida nesse texto do Dimenstein, que mostra seu ponto de vista sobre o caso.

A herança de Isabella

A morte da menina Isabella Nardoni deixou uma extraordinária herança. Ampliou o debate, como nunca, sobre um problema que ocorre no Brasil, mas sem grande repercussão: a violência doméstica contra as crianças. Não estou dizendo que ela foi assassinada pelos pais –apesar dos vários indícios comprometedores, não há, até este momento, provas para condená-los.

O que estou focando é o fato de que a morte trouxe luz a esse problema, até agora com pouca repercussão porque é mais comum entre famílias pobres e desestruturadas, vítimas de desequilíbrios emocionais extremos.

Desde o final da década de 1980, tenho acompanhado a violência contra a criança no Brasil. Há muito tempo estou convencido de que as crianças não vão morar na rua por causa da pobreza, mas pela dificuldade de enfrentar a agressão familiar, agravada pelo consumo do álcool e das drogas, em meio ao ambiente de impunidade –mais precisamente pelo silêncio materno.

Qualquer médico que já tenha feito plantão num pronto-socorro público sabe de histórias de crianças que chegam estraçalhadas, queimadas, pisoteadas, socadas e com marcas de abuso sexual –sem contar aqueles que se machucam gravemente por negligência paterna. Há estudos e mais estudos, recheados de estatísticas, dessa violência doméstica.

Isso tudo é sabido e denunciado por médicos, assistentes sociais, psicólogos e educadores. Mas nunca, nem remotamente, se prestou tanta atenção nesse tema como no caso Isabella – essa é triste e monumental herança que a menina deixou.

O problema é que esse tipo de caso tem que ocorrer na classe média para que a nação acorde.

Matheus Mlot Palma

Caso Isabella e a mídia

abril 18, 2008 · Categoria: Uncategorized

Como foi discutido em sala nessa sexta, vamos discutir e ver um texto sobre o caso Isabella.
Vamos ler e analisar o ponto de vista de Soninha, vereadora de São Paulo e colunista da Folha:
Os que ficam

O que quer a mídia no caso Isabella?

Teria a pretensão de descobrir, por meio de tocaia aos membros da família, algum fato extraordinário que revele o autor do crime, antecipando-se aos peritos?

É fato que o público tem uma curiosidade mórbida insaciável, para a qual os psicanalistas têm lá suas explicações. Será que as TVs assumem, para si mesmas, que estão apenas tentando atender a esse desejo do público, ou acreditam que tudo o que fazem é verdadeiramente jornalismo?

A cobertura tem momentos de sobriedade e equilíbrio, mas também tem momentos de desatino. Alguns são até corriqueiros, usuais: a menos que haja algo de excepcional na informação, qual o sentido de informar o que Ana Carolina Jatobá jantou em sua primeira noite na carceragem? Esse tipo de relato já foi incorporado ao noticiário policial, mesmo que não traga nada de relevante.

Mas isso não tem importância, não ofende nem desrespeita ninguém. Já as descrições minuciosas dos ferimentos no corpo da menina precisam, mesmo, ser feitas na TV e no jornal? Elas são importantes para a investigação, mas são relevantes para o público? Fiquei horrorizada com as ilustrações mostrando “manchas roxas aqui, sangue aqui”, como se não estivessem falando de uma criança que morreu, que deixou parentes e amigos, mas de um diagrama, um esquema, um rabisco apenas. Na corrida algo exibicionista para ver quem tem as informações mais detalhadas, o melhor acesso ao caso, ninguém quer deixar de publicar nada.

Seja lá quem for que matou Isabella (santo Deus, quem teria sido capaz?), uma família inteira sofreu o inimaginável. Nós a vimos em fotos e vídeos, doce e encantadora, e ficamos horrorizados com o modo como sua vida chegou ao fim; imaginem como se sentem tios, primos, avós. E agora vivem todos acuados, perseguidos, com alguém sempre a postos para descrever quem entrou ou saiu da casa dos parentes, a que horas, carregando o quê.

Fico muito preocupada com os filhos de Ana Carolina, especialmente o mais velho, que já tem capacidade para entender o que está acontecendo (tanto quanto isso é possível). A irmãzinha morreu; a mãe foi presa e o pai também; a TV não fala de outra coisa. Quando a gente tem uma morte na família, seguindo a ordem “normal” das coisas (em que os mais velhos morrem primeiro…), já é difícil lidar com o vazio, a ausência. Que ele e a irmão menor tenham muito apoio, muita retaguarda para terem uma vida feliz.

***

Acabo de escrever isso e penso nas dezenas de tragédias ocorridas nas favelas, noticiadas de passagem… Crianças mortas por balas “perdidas”, virando estatísticas sem nome (“um menino de oito anos”; “uma criança de seis anos”). Os pais, amigos e vizinhos revoltados, desacorçoados, e nenhuma investigação, nenhuma cobertura da imprensa, nenhuma reconstituição dos fatos…

E as crianças que testemunham tantas mortes e sobrevivem a um sem-número de tiroteios, que possibilidade têm de uma vida equilibrada e feliz?

Realmente, como temos visto ultimamente, a menina se tornou um diagrama, um esquema e não uma menina que tinha irmãos, pais (independentemente se eles são assassinos ou não), amiguinhos na escola e a mídia só quer mostrar para a outra quem tem mais informações, publicando, na maioria das vezes, coisas completamente inúteis, a imprensa luta cada vez mais por pistas e mais pistas, possivelmente, tentando desvendar o crime antes da polícia, ou tentando saciar a curiosidade do povo. Além disso, vemos a falta de noção do povo brasileiro, que vai cantar “Parabéns” para a mãe ou para a menina morta, desejando felicidades e tudo mais, levando bolo, etc em um momento de extrema dor. Vemos também, que o caso só tomou destaque por ter acontecido na classe média, que esse tipo de coisa precisou acontecer nessa classe para que a população brasileira acordasse. Quantos outros casos ocorreram durante essa busca “boba” da mídia e quantos outros acontecem todos os dias, mas ninguém vê, ou se vê, não toma nenhuma providência.

Matheus Mlot Palma

abril 17, 2008 · Categoria: Uncategorized

radioimage.jpg

O Rádio

Pouca gente sabe, mas o Rádio já ocupou no Brasil (nos anos 30 e 40) o papel de mídia de massa que hoje é ocupado pela televisão. Jornais, e até novelas, eram transmitidas pelas ondas do Rádio.

Hoje, longe dos centros metropolitanos, o Rádio ainda tem uma importância grande pois seu sinal tem mais alcance que o da TV e seu aparelho receptor ainda é bem mais barato. (nas comunidades ribeirinhas do Rio Tapajós, por exemplo, o Rádio é utilizado para que as informações de saúde pública cheguem à população. (Confiram o projeto Saúde e Alegria que rola por lá – www.saudeealegria.org.br)

O mais interessante na mídia Rádio é que o fato de termos que comunicar apenas com som, sem imagem alguma, e o ouvinte não ter como “voltar” o que acabou de escutar, faz com que as notas de Rádio tenham que ser concisas, claras e muito informativas. Um desafio – fazer algo simples, que soe bem e que contenha muita informação.

A ” NOTA” é o formato mínimo de Rádio – geralmente não pode passar de um minuto e meio de locução. Caso passe, mais fácil somar muitas notas de um mesmo tema, ou de temas diversos, e montar um ” BOLETIM”. A ´”NOTA” é como o lead da reportagem: tem as informações básicas, adequadas à linguagem acessível ao público alvo da Rádio em questão.

Links interessantes sobre a História do Rádio:

Ondas Curtas http://paginas.terra.com.br/arte/sarmentocampos/Historia.htm

History of Radio - http://history.sandiego.edu/GEN/recording/radio.html

Coletânea de links – http://earlyradiohistory.us/

Página seguinte »