Eu pensava em tudo e ao mesmo tempo em nada.

Talvez aquela tenha sido a troca de olhares mais intensa que já tive. Não. Talvez não! É certeza! Um pequeno momento. Durou, no máximo, dois minutos. Não lembro muita coisa. Apenas lembro-me de que estava segurando um papel. Mas o que tinha nele? Não sei. Única coisa com a qual me preocupava no momento era com aquela sensação. Eu me sentia no céu. Sentia-me ou estava? Acho que estava no céu. Não sei ao certo. Sou de fases, fazer o que? Sou uma lua. Homem de fases! Não. “Mulher de fases”, como dizia a banda Raimundos, mas sou homem. Talvez. Sou os dois? Como? Esquece. Voltando ao que me importava. Naquele momento, ouvi alguma coisa. Também não sei bem ao certo o que era. Mas vinha de você. Sua voz. Doce, delicada. Vindo de seus lábios vermelhos – corado talvez de tanto que os morde. Fez-me sorrir, mas escondi. Eu sentia prazer, mas não aquele prazer físico. Não sei explicar. Sabe quando se come chocolate? Acho que foi essa a sensação. Acho? Achar é uma coisa tão vaga não só quanto o próprio verbo mas também quanto a palavra “coisa”. Enfim, sou vago: apenas não sei explicar, mas era bom. Minhas pernas, mãos e o papel tremiam. Eu não piscava, nem sequer um segundo. Apreciar aqueles olhos, nariz, boca, queixo e olhos novamente era tão bom. É uma pena ter durado tão pouco. Minha mente estava tão confusa quanto esse texto. Não pensava em quase nada, porém, ao mesmo tempo, em tudo. Quando finalmente descobri onde estava ouvi seu “brigado”. De repente eu estava em transe. Pensava em te abraçar ou ao menos tocar ali mesmo. Pensava em fazer cafuné em seus cabelos. Pensava em ir embora por causa da vergonha. Pensava em parar de pensar. Pensava em parar de sentir. Eu pensava… Pensava… “Droga, será que me apaixonei ?”

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